• Capítulo 1 – Ruínas que Acendem

    São 5h30 da manhã e estou na rua há bastante tempo. Algo normal para mim: moro longe do trabalho e levo mais de duas horas para chegar a um lugar que me parece ter menos propósito do que todo o tempo que perco todos os dias para alcançá-lo. Tudo isso tem sido uma grande perda de tempo, mas eu nunca tinha me dado conta disso. Na verdade, nunca tinha pensado em nada que não fosse fútil ou voltado apenas à simples manutenção da minha vida como ela é.

    Interessante pensar que, quando finalmente consegui ter alguma consciência de quem sou e de onde estou, isso pode ser o ponto final de tudo para mim. Já estou na rua, mas não estou indo para o trabalho. Não posso voltar para lá, não agora que descobri que, na verdade, nunca quis estar ali. Nunca foi minha escolha; aliás, nunca havia feito nenhuma escolha antes do dia em que a vi.

    Todos a chamam de Vicky, mas sei que esse não é seu nome verdadeiro. Aliás, todos sabem disso, mas ninguém se importa: estão fascinados demais pelo traço do seu pincel, pelas cores e formas de seus grafites, pela imponência e fúria de seus poemas. Ela representa o oposto do que sempre fui. Sua influência esmagou tudo o que eu era, mas não me deu um caminho para onde ir. E ainda assim, encontrei propósito. Agora jogo tudo para o alto em busca de um sonho, uma ideia, uma visão que eu nem sei se é real, mas é o que quero agora.

    Não pensem que foi fácil fazer essa escolha; lutei muito contra ela. A verdade é que a certeza se formou dentro de mim à medida que observava como tudo parecia simples para Vicky, como tudo se encaixava perfeitamente em seu modo de viver, como era natural ser quem ela é. Já eu vivo num mundo cheio de regras, metas, hierarquias e protocolos.

    Lembro-me de que, no dia em que minha vida deu essa virada, eu me preparava para um dia cheio de formalidades: era dia de inspeção no meu setor. Todos haviam ficado até tarde na sessão do dia anterior para deixá-la organizada para o inspetor. No dia seguinte, acordei ainda mais cedo, mesmo tendo chegado em casa muito tarde.

  • Capítulo 1 – Ruínas que Acendem

    São 5h30 da manhã e estou na rua há bastante tempo. Algo normal para mim: moro longe do trabalho e levo mais de duas horas para chegar a um lugar que me parece ter menos propósito do que todo o tempo que perco todos os dias para alcançá-lo. Tudo isso tem sido uma grande perda de tempo, mas eu nunca tinha me dado conta disso. Na verdade, nunca tinha pensado em nada que não fosse fútil ou voltado apenas à simples manutenção da minha vida como ela é.

    Interessante pensar que, quando finalmente consegui ter alguma consciência de quem sou e de onde estou, isso pode ser o ponto final de tudo para mim. Já estou na rua, mas não estou indo para o trabalho. Não posso voltar para lá, não agora que descobri que, na verdade, nunca quis estar ali. Nunca foi minha escolha; aliás, nunca havia feito nenhuma escolha antes do dia em que a vi.

    Todos a chamam de Vicky, mas sei que esse não é seu nome verdadeiro. Aliás, todos sabem disso, mas ninguém se importa: estão fascinados demais pelo traço do seu pincel, pelas cores e formas de seus grafites, pela imponência e fúria de seus poemas. Ela representa o oposto do que sempre fui. Sua influência esmagou tudo o que eu era, mas não me deu um caminho para onde ir. E ainda assim, encontrei propósito. Agora jogo tudo para o alto em busca de um sonho, uma ideia, uma visão que eu nem sei se é real, mas é o que quero agora.

    Não pensem que foi fácil fazer essa escolha; lutei muito contra ela. A verdade é que a certeza se formou dentro de mim à medida que observava como tudo parecia simples para Vicky, como tudo se encaixava perfeitamente em seu modo de viver, como era natural ser quem ela é. Já eu vivo num mundo cheio de regras, metas, hierarquias e protocolos.

    Lembro-me de que, no dia em que minha vida deu essa virada, eu me preparava para um dia cheio de formalidades: era dia de inspeção no meu setor. Todos haviam ficado até tarde na sessão do dia anterior para deixá-la organizada para o inspetor. No dia seguinte, acordei ainda mais cedo, mesmo tendo chegado em casa muito tarde.

  • Capítulo 1 – Ruínas que Acendem

    São 5h30 da manhã e estou na rua há bastante tempo. Algo normal para mim: moro longe do trabalho e levo mais de duas horas para chegar a um lugar que me parece ter menos propósito do que todo o tempo que perco todos os dias para alcançá-lo. Tudo isso tem sido uma grande perda de tempo, mas eu nunca tinha me dado conta disso. Na verdade, nunca tinha pensado em nada que não fosse fútil ou voltado apenas à simples manutenção da minha vida como ela é.

    Interessante pensar que, quando finalmente consegui ter alguma consciência de quem sou e de onde estou, isso pode ser o ponto final de tudo para mim. Já estou na rua, mas não estou indo para o trabalho. Não posso voltar para lá, não agora que descobri que, na verdade, nunca quis estar ali. Nunca foi minha escolha; aliás, nunca havia feito nenhuma escolha antes do dia em que a vi.

    Todos a chamam de Vicky, mas sei que esse não é seu nome verdadeiro. Aliás, todos sabem disso, mas ninguém se importa: estão fascinados demais pelo traço do seu pincel, pelas cores e formas de seus grafites, pela imponência e fúria de seus poemas. Ela representa o oposto do que sempre fui. Sua influência esmagou tudo o que eu era, mas não me deu um caminho para onde ir. E ainda assim, encontrei propósito. Agora jogo tudo para o alto em busca de um sonho, uma ideia, uma visão que eu nem sei se é real, mas é o que quero agora.

    Não pensem que foi fácil fazer essa escolha; lutei muito contra ela. A verdade é que a certeza se formou dentro de mim à medida que observava como tudo parecia simples para Vicky, como tudo se encaixava perfeitamente em seu modo de viver, como era natural ser quem ela é. Já eu vivo num mundo cheio de regras, metas, hierarquias e protocolos.

    Lembro-me de que, no dia em que minha vida deu essa virada, eu me preparava para um dia cheio de formalidades: era dia de inspeção no meu setor. Todos haviam ficado até tarde na sessão do dia anterior para deixá-la organizada para o inspetor. No dia seguinte, acordei ainda mais cedo, mesmo tendo chegado em casa muito tarde.

  • Capítulo 1 – Ruínas que Acendem

    São 5h30 da manhã e estou na rua há bastante tempo. Algo normal para mim: moro longe do trabalho e levo mais de duas horas para chegar a um lugar que me parece ter menos propósito do que todo o tempo que perco todos os dias para alcançá-lo. Tudo isso tem sido uma grande perda de tempo, mas eu nunca tinha me dado conta disso. Na verdade, nunca tinha pensado em nada que não fosse fútil ou voltado apenas à simples manutenção da minha vida como ela é.

    Interessante pensar que, quando finalmente consegui ter alguma consciência de quem sou e de onde estou, isso pode ser o ponto final de tudo para mim. Já estou na rua, mas não estou indo para o trabalho. Não posso voltar para lá, não agora que descobri que, na verdade, nunca quis estar ali. Nunca foi minha escolha; aliás, nunca havia feito nenhuma escolha antes do dia em que a vi.

    Todos a chamam de Vicky, mas sei que esse não é seu nome verdadeiro. Aliás, todos sabem disso, mas ninguém se importa: estão fascinados demais pelo traço do seu pincel, pelas cores e formas de seus grafites, pela imponência e fúria de seus poemas. Ela representa o oposto do que sempre fui. Sua influência esmagou tudo o que eu era, mas não me deu um caminho para onde ir. E ainda assim, encontrei propósito. Agora jogo tudo para o alto em busca de um sonho, uma ideia, uma visão que eu nem sei se é real, mas é o que quero agora.

    Não pensem que foi fácil fazer essa escolha; lutei muito contra ela. A verdade é que a certeza se formou dentro de mim à medida que observava como tudo parecia simples para Vicky, como tudo se encaixava perfeitamente em seu modo de viver, como era natural ser quem ela é. Já eu vivo num mundo cheio de regras, metas, hierarquias e protocolos.

    Lembro-me de que, no dia em que minha vida deu essa virada, eu me preparava para um dia cheio de formalidades: era dia de inspeção no meu setor. Todos haviam ficado até tarde na sessão do dia anterior para deixá-la organizada para o inspetor. No dia seguinte, acordei ainda mais cedo, mesmo tendo chegado em casa muito tarde.

  • Capítulo 1 – Ruínas que Acendem

    São 5h30 da manhã e estou na rua há bastante tempo. Algo normal para mim: moro longe do trabalho e levo mais de duas horas para chegar a um lugar que me parece ter menos propósito do que todo o tempo que perco todos os dias para alcançá-lo. Tudo isso tem sido uma grande perda de tempo, mas eu nunca tinha me dado conta disso. Na verdade, nunca tinha pensado em nada que não fosse fútil ou voltado apenas à simples manutenção da minha vida como ela é.

    Interessante pensar que, quando finalmente consegui ter alguma consciência de quem sou e de onde estou, isso pode ser o ponto final de tudo para mim. Já estou na rua, mas não estou indo para o trabalho. Não posso voltar para lá, não agora que descobri que, na verdade, nunca quis estar ali. Nunca foi minha escolha; aliás, nunca havia feito nenhuma escolha antes do dia em que a vi.

    Todos a chamam de Vicky, mas sei que esse não é seu nome verdadeiro. Aliás, todos sabem disso, mas ninguém se importa: estão fascinados demais pelo traço do seu pincel, pelas cores e formas de seus grafites, pela imponência e fúria de seus poemas. Ela representa o oposto do que sempre fui. Sua influência esmagou tudo o que eu era, mas não me deu um caminho para onde ir. E ainda assim, encontrei propósito. Agora jogo tudo para o alto em busca de um sonho, uma ideia, uma visão que eu nem sei se é real, mas é o que quero agora.

    Não pensem que foi fácil fazer essa escolha; lutei muito contra ela. A verdade é que a certeza se formou dentro de mim à medida que observava como tudo parecia simples para Vicky, como tudo se encaixava perfeitamente em seu modo de viver, como era natural ser quem ela é. Já eu vivo num mundo cheio de regras, metas, hierarquias e protocolos.

    Lembro-me de que, no dia em que minha vida deu essa virada, eu me preparava para um dia cheio de formalidades: era dia de inspeção no meu setor. Todos haviam ficado até tarde na sessão do dia anterior para deixá-la organizada para o inspetor. No dia seguinte, acordei ainda mais cedo, mesmo tendo chegado em casa muito tarde.

Moro em um pequeno apartamento na periferia da cidade, num bairro chamado Cidade Nova. Nunca soube se o nome era ironia da construtora, esperança dos moradores ou deboche do governo. O fato é que aqui tudo parece com muita coisa, menos com uma cidade nova. A lei só chega para atender aos interesses de quem não mora aqui. A nossa lei, feita por quem vive neste lugar, possibilita a convivência — mesmo que tenhamos um equilíbrio frágil que, às vezes, se rompe. Frequentemente, alguém paga com a vida para que esse equilíbrio retorne.

Mas aquela madrugada estava calma. Acordei às 3h30, tomei um banho, vesti-me e fui comer alguma coisa. Preparei um café bem forte, fritei três ovos com manteiga e engoli tudo sem sentir o sabor. Fazia muito frio: calcei meu coturno e vesti a calça jeans da empresa, bem mais grossa e reforçada do que o normal. Por cima do uniforme, coloquei minha blusa cinza com capuz preto — ela esquenta bastante, essencial para enfrentar a umidade gelada.

Andava pelas vielas escuras e vazias do bairro; havia lixo e entulhos por todo lado. Pareciam ruínas, mas estranhamente isso nunca me incomodou; ao contrário, nunca imaginei que pudesse ser diferente.

Naquele dia, precisava chegar mais cedo ao trabalho, mas o ônibus que passa mais perto não circula tão cedo. Tive de caminhar mais de um quilômetro para pegar outro coletivo na avenida principal. Quando cheguei ao ponto, vi o ônibus se aproximar. Ele parou, eu entrei pela catraca destravada e procurei um lugar no fundo.

O ônibus estava completamente vazio, exceto por três garotas sentadas nos últimos bancos.

A primeira tinha cabelos negros escorrendo até a cintura, impecavelmente lisos, e enquadrava um rosto de traços marcantes: batom preto fosco, delineador puxado e sombra esfumada intensamente. Vestia jaqueta de couro curtido, camiseta de banda rasgada na barra e calça skinny jeans com remendos xadrez. Nos pés, coturnos militares gastos, com solados altos e cadarços frouxos.

Ao lado, a segunda garota exibia um corte bob irregular na altura do queixo, com as pontas tingidas num vermelho sombrio que surgia apenas quando a luz atravessava o vidro. Seus olhos vinham delineados por um traço fino de lápis preto, esfumado discretamente com sombra em tom de terra, conferindo-lhe um olhar intenso, porém contido. O colete jeans, lavado até quase cinza, exibia poucos patches: um punho cerrado e letras miúdas, quase desbotadas, que insinuavam uma atitude subversiva sem gritar por atenção. Ela usava um short preto de corte reto sobre meia-arrastão sutil e carregava coturnos de couro fosco, com fivelas baixas e solado discreto.

A terceira parecia saída de um cenário futurista: cabelos prateados curtos e espetados, mechas verdes neon entrelaçadas, batom prata metálico e sombra holográfica. Sua jaqueta transparente com LEDs sutis brilhava em tons frios, combinada a calças de vinil rasgadas. O tênis, de plataforma alta, piscava em luzes verdes. Elas conversavam animadas, mas calaram-se imediatamente ao me ver.

Constrangido com a reação, sentei-me no meio do ônibus, distante delas. Passados alguns instantes, elas vieram até mim. A de cabelos prateados sentou-se ao meu lado, e as outras duas, à minha frente. Por instantes, olharam-me com curiosidade sem dizer nada. Até que a que estava ao meu lado começou a falar:

– Noite difícil? – indagou com ironia.

– Na verdade, meu dia está só começando – respondi, tentando esconder o coração acelerado.

A garota de colete jeans sorriu laconicamente e sentenciou:

– Que pena. Pensei que fosse dos nossos… Vamos gente, ele  é só mais um ratinho no labirinto. Ele nem sabe por que está aqui.

Ela se levantou e começou a caminhar de volta ao fundo do ônibus. A de cabelos prateados olhou para mim com profundo desdém, lembrando-me do inspetor e do que eu enfrentaria na fábrica. No entanto, o olhar dela era diferente, não era mera arrogância; havia também um misto de interesse e decepção em seu olhar. Finalmente, ela se levantou sem dizer nada. Mas a terceira permaneceu, observando-me com curiosidade, como se visse algo muito diferente, algo intrigante.

Então, ouvi uma voz vinda do fundo do ônibus:

– Esquece a Vicky, ele não vale a pena! – gritou alguém.

Nesse momento, Vicky se levantou do banco a minha frente, e por uns instantes segurou-se no encosto do banco e, num gesto impulsivo, lançou-se no meu assento.

– E aí? Quem é você, afinal? – perguntou, num tom desafiador, mas também genuinamente interessado.

– Não ouviu a sua amiga? Sou alguém que não vale a pena. Não tenho nada de interessante – tentei simplesmente fazer com que ela fosse embora dali, mas iria descobrir que ela era bem mais insistente do que isso.

– Não acredito em você – retrucou, puxando meu capuz e deixando-me exposto. Cobri a cabeça rapidamente, mas ela insistiu:

– O que você tanto esconde do mundo? – perguntou, puxando novamente o capuz.

Encarei-a e vi o quanto ela se divertia. Então respondi:

– Já disse: não tenho nada de especial. Só estou indo para o trabalho, nada demais.

Naquele momento, as palavras saíram naturalmente, mas hoje sei que eram expressão de um sofrimento que até então desconhecia. Vicky deu um longo suspiro e disse:

– O pior é que você acredita no que disse. Nisso, a Estela estava certa.

– Como disse antes, não valho o seu tempo. É melhor voltar para as suas amigas – repliquei, ansioso para que a conversa terminasse e eu me concentrasse na inspeção.

– Não concordo nem com a Estela nem com você – afirmou Vicky.

Ela pegou uma caneta e rabiscou um endereço na minha mão:

– Aparece lá qualquer dia e verá que estou certa – disse.

Então ouvi a voz de Drika, a garota dos cabelos prateados:

– E aí, Vicky? Vai ficar ou vir com a gente? Nosso ponto está chegando!

Vicky olhou para mim mais uma vez e acrescentou:

– Não se deixe enganar. Você é muito mais do que dizem. Se for a esse lugar – apontou para o endereço que escrevera na minha mão – vai ver que estou falando sério.

Vicky se levantou, saiu do ônibus com as amigas e desapareceu na escuridão da noite.

Senti um alívio imediato, mas, passados alguns minutos, não pude deixar de pensar em como tudo aquilo era diferente da minha rotina. Olhei para a mão, vi o endereço e achei tudo uma grande bobagem. O que eu não sabia era que aquela conversa mudaria totalmente o curso da minha vida e que aquele momento com Vicky seria apenas o primeiro de muitos outros que viriam. Foi então que tomei a primeira decisão em anos: seguiria até o endereço rabiscado na minha mão para conhecer o Blackout Lab.